
A cada dia que passa, novas situações nos são apresentadas com o objetivo de serem resolvidas por nós. Esta questão não passa de um quebra-cabeça, um enigma, uma dor de cabeça. Ocorre que elas nos fazem sofrer, sendo apenas o sofrimento uma forma de aprendizado. Em outras palavras, se não aprendemos pelo bem, aprendemos pelo mal.
Pode ocorrer também de o mal nos ocorrer para que possamos aprender a sermos mais fortes e a controlarmos nossas fraquezas, um teste mental na vida real. Independente do que acontecer, temos sempre que analizarmos como aquela dada situação nos ensina realmente, caso contrário, todo o sofrimento terá sido em vão (o que significa que, provavelmente, tenhamos que passar pelo mesmo sofrimento novamente para então aprendermos o que deixamos passar despercebido).
Temos que ter o máximo de cuidado em relação aos fatos reais, temos que ter cuidado com as falsas interpretações e com nossas falsas ilusões. Temos que ter cuidado até com o ar que respiramos. Que mundo hostil, violento, mal-educado, frio, agressivo, feio... repleto de feridas abertas que sangram na alma das pessoas: mundo repleto de trevas. Que vale viver nele, se apenas nos machucamos?
Esperança, esperança é a resposta. Se não tivermos esperança, nosso pensamento continua crescendo para o lado negativo, até o ponto de nós mesmo nos destruirmos. É por isso que há suicidas, depressivos, bipolares, drogados... Não passam de pessoas que descobriram como o mundo é de verdade e não souberam aceitar os fatos, não foram fortes o suficiente para não enlouquecerem com o conhecimento.
Fardo pesado esse, o conhecimento. Como é mais fácil, e mais feliz, ser ignorante, ser burro, ser cego, ser inocente. É ótimo ser um idiota bobão que não se importa com nada porque não pensa em nada. Pena que eu não sou esse tipo de pessoa, pena que sou consciente ao mundo e entendo tudo que passa nele. Não queria ver sempre a verdade, ela é muito triste. Me faz chorar. Chorar me torna fraco mentalmente, muito fraco mesmo. Minha alma está retalhada por se expor a este mundo. Não posso mais mostrá-la a ninguém, tenho que escondê-la como sempre fiz, assim não vou mais me machucar de graça como costumo fazer.
Me jogar no meio do campo de batalha para tentar protestar para que a guerra acabe em paz, é um gesto muito nobre. Pena que a guerra não acaba nunca e eu morra sempre metralhado, ensanquentado, sem que ninguém cogite a ideia de paciência ou respeito pelo próximo. A função de Escorpião é renovar, ou seja, reencarnar: estou cansado de ter que morrer por dentro para poder nascer de novo, acreditando que, com isso, a vida de alguém irá melhorar.
Estou cansado de ter a esperança de que as coisas se tornarão melhores, se apenas pioram a cada dia. Cada dia vejo mais pessoas se entregando às trevas ou desistindo do bem, por ficarem cansadas de lutarem e se sacrificarem por uma causa nobre, mas que parece impossível de ser realizada. O pensamento mais prático que me ocorre é desistir de tudo e de todos, ser finalmente o que a maioria é: me tornarei um idiota fracassado que só se importa com a matéria, com seus próprios desejos egoístas e pouco se importa com o bem estar dos outros.
As coisas estão me pressionando e querem que eu me torne neste mostro...
Graças a Deus, assim como posso morrer, posso renascer (ainda bem, se não eu já teria desistido de tudo muito antes). O problema é que eu me importo de mais com os outros, coloco meu coração em minha atitudes. Acredito que com um desejo sincero, tudo dará certo. Lástima que ninguém mais no mundo pensa assim e, toda vez, meu coração cai no chão gelado e se espatifa em mil pedaços.
Como disse, todo sofrimento é inútil se não aprendemos alguma coisa de bom com ele. Pois sabe o que eu aprendi? Que jamais, pelo menos para mim, devo me emocionar com o mundo: toda vez que faço isso, só me FODO, saio FUDIDO mesmo. Vou pensar agora só em mim mesmo e, jamais, vou envolver minha alma de verdade neste mundinho atrasado espiritualmente. Há várias formas de ser bom, mas com certeza, me importar com os outros emocionalmente não é uma delas.
Toda via, não vou me tornar num demônio, porque ainda tenho esperança na bondade das pessoas (tenho a impressão de que isso vai me fazer sofrer de novo futuramente). Minha preocupação na verdade agora é: como vou controlar minhas emoções a ao mesmo tempo não me tornar alguém mal-humorado e ruim, como já demonstrei ser??? Como vou apaziguar o carrasco e o guia que existem dentro de mim...?
Após a morte, há o renascimento: felizmente nunca desistirei de minha evolução como ser humano!

